Ainda sou Romeu. Ainda amo. Quer dizer, amei. E muito. Ambas.
Platina nunca me amou mesmo. Ela tinha medo de amar, de se entregar. Amora não, não amava mas se jogou. Amou e muito. As duas, juntas, melavaram aos Campos Elísios. E ao inferno.
Hoje, procuro uma saída do inferno. Procuro voltar a ter uma vida. Procuro retomar minhas tarefas diárias, rotineiras e estressantes. Seguir adiante. Mas tenho um problema, não descansei meu coração. Não parei de amar garota alguma por um período de férias escolares. Amei Thaina, Beatriz, amei Joyce, amei Platina e Amora. Hoje não aceito sentir amor. O problema é que isso me faz um mal. Um negocio ridículo no peito. Uma dor. Vazio. E aos meus pés, queima o inferno. Queima a falta de amor. Não amo. Não sou amado.
Eu fui ignorado. Minhas vontades são ignoradas e eu sou completamente substituível. Mesmo dando o melhor de mim, entregando tudo que posso de mim. E são nessas que eu choro horas por dia. Das 16 horas que fico acordado por dia, umas 7 eu choro.
Sem amor, com dor. Romeu morreu com dor, por dor, por desespero, por desgraça em seus pulmões, Romeu, aquele garoto inglês idealizado, Eu, aquele garoto brasileiro real, somos os mesmos. Amantes, não amáveis (por motivos desconhecidos, mesmo depois de dois ciclos de amor) e mortos pela dor.
Quero que acabe. Que eu possa ficar no meu casulo protetor recebendo algumas visitas e só. Não quero visita de Beatriz, Joyce, Amora, Platina. Nenhuma.
Amor platônico nunca mais, amor real não quero tão cedo. Mas quero um chamego. Um carinho. Abraço que seja, preciso de alguém. Mude minha vida, me leve ao purgatório, sim, você que me lê, me leve até lá. Me reanime, me mude.
Eu imploro. Me tire deste inferno. Desse inverno. Nem sei que estação é, o diabo não sabe quando neva aqui dentro.